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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Para refletir: A ausência da palavra Cataratas na Bíblia (II) - Um abismo chama outro


Na primeira parte desta publicação, destacamos o encontro de Cameron com o índio guatemalteco e a tese de que se Deus não fala a sua língua ele, possivelmente, não se importa com você, sua etnia ou seu povo. Continuou lembrando que na “leitura da paisagem”, na interpretação da paisagem natural, criada por Deus, o nativo estranha quando lugares especiais de sua paisagem não apareçam nas páginas desse livro. Alguém pode rebater afirmando que a Bíblia Sagrada fala de Cataratas ou Catadupas no Salmo 42. Lá, no versículo 7, diz, de acordo com a versão Almeida Corrigida e Revisada: 

 “Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim”. 




Mas aí, parafraseando e aprendendo com o pensamento islâmico, pode-se argumentar que a Bíblia que possuímos em mãos e em português é fruto de um prodigioso esforço de tradução de modo que o que temos em mãos é uma tradução da Bíblia visto que a parte da Bíblia onde se encontram os salmos foi escrita em hebraico. Por isso é necessário identificar fontes, mencionar, dizer que a citação se encontra deste modo nesta ou naquela versão.  Comparemos aqui ligeiras diferenças entre algumas versões ao traduzir o mesmo verso do Salmo. A Nova Versão Internacional (NVI)  traduz:


“Abismo chama abismo ao rugir das tuas cachoeiras; todas as tuas ondas e vagalhões se abateram sobre mim”


A versão Católica Bíblia Ave Maria não usa a palavra cachoeiras, cataratas ou catadupas. Prefere, em vez disso, falar de  “águas revoltas”.
 

“Uma vaga traz outra no fragor das águas revoltas, todos os vagalhões de vossas torrentes passaram sobre mim”.

Além de “waterfalls” – ou quedas d’água, há versões da Bíblia em em inglês que usam “cataracts” e muitas outras versões preferem a palavra “waterspouts”. O problema é que “waterspout” não é a mesma coisa que "waterfalls" ou cataratas. O versículo é traduzido assim na versão Rei Jaime (King James Version) em inglês:


"Deep calleth unto deep at the noise of thy waterspouts: all thy waves and thy billows are gone over me".


Nesta época de verificação instantânea de qualquer informação por meio de uma ferramenta impensável há 50 anos chamada Google, não leva cinco minutos para verificar que “waterspout”  tem mais a ver com "tornados" do que com cataratas ou cachoeiras. O pesquisador ou buscador pode escolher a opção “imagem” ou “vídeo” para ver fotos e filmagens de “waterspouts” em ação em todo o mundo.


Em hebraico, a língua em que foi escrito o Antigo Testamento, a palavra que foi traduzida como Cataratas, Cachoeiras, Catadupas é “tsinnor” (צִנוֹר) e tsinnor, tem a ver com o tornado e especialmente com o tornado no mar. Como e por que a palavra "tsinnor" mais ligada a "tornado marítimo”, “tromba-d'água”, “tromba marinha”, foi traduzido como Cataratas é alvo de uma civilizada discussão cujos méritos e profundezas não são parte do objetivo deste artigo. Aceitando que “tsinnor” é um fenômeno poderoso da natureza o que para os povos ligados a esta natureza e na visão deste trabalho, tal fenômeno é visto como uma demonstração poderosa do poder da criação e não diminui o valor da mensagem que o salmista quis passar com ela. Trazendo o Google mais uma vez à discussão, um outro exercício para quem quiser confirmar o que se propõe aqui, basta copiar a palavra “tsinnor” em hebraico e entre parêntese (צִנוֹר) e colá-la no site de busca. Toda a pesquisa aparecerá em hebraico e pode não ter utilidade para o leitor no momento. Mas ao escolher a opção “imagem” ou “vídeo”, a tela se encherá de fotos onde aparecem objetos em forma de tromba, como mangueiras e tubos, condutos e até a tromba de elefante que tem o formato arredondado ou tubular. No hebraico moderno, este vórtice  com formato de coluna tubular que acontece ao longo de lagos, mar e rios é chamado de “ned maim” (נד מים) com o mesmo sentido de tromba d’água.  
Um "waterspout"
נד מים

Chegamos a este ponto, concluindo que a palavra Cataratas não aparece na Bíblia. A palavra traduzida para o português como Cataratas ou Waterfalls na versão inglesa não é “cataratas”. Refere-se a outro fenômeno natural  como uma carga animística muito grande que pelo seu formato recebeu o nome de “tromba” de água e é da família das manifestações dos grandes ventos, dos tornados. Concluímos também que esse pequeno e inexplicável problema de escolha de “imagem” (palavra) para traduzir um sentimento de pequenez do humano (homem / mulher) expressado pelo salmista não desmerece em nada sua beleza e importância.

Repitamos o texto da primeira tradução:
 

“Um abismo chama outro abismo, 
ao ruído das tuas catadupas; 
todas as tuas ondas e as tuas vagas
 têm passado sobre mim”.
 

Para refletir: A ausência da palavra Cataratas na Bíblia (I)

Com mais de 40 milhões de litros por segundo

"E o rio masculino se rende à fenda, onde nela desaparece ..." do livro
A Y-Guaçu Secreta, as Cataratas do Iguaçu como um Chákra da Terra  (2005)



Um dos maiores missionários protestantes do século passado, William Cameron Townsend, fundador da Wycliffe Bible Translators, contou que quando morava entre os índios Cakchiquel (maia) da Guatemala, um Cakchiquel viu uma Bíblia em espanhol em cima da mesa dele e perguntou: o que é isso?  Ele respondeu dizendo que era uma Bíblia. “A palavra de Deus, o criador de toda a humanidade”.

Após ouvir a explicação, o índio continuou tocando a bíblia como se estivesse a avaliando sem saber exatamente o que ela dizia em sua maneira de expressar com tantas letras. Daí disparou, sem rodeios: “Se o seu Deus é tão esperto, por que ele não fala a minha língua? 


A frase dita pelo Cakchiquel foi recebida por Cameron como uma mensagem de Deus. Ele tem razão, pensou. Empurrado por esta frase marcante, o missionário dedicou toda a vida a seu maior projeto: a tradução da Bíblia ou parte dela em todos os idiomas do mundo.  



A pergunta do Cakchiquel, descendente dos maias, parece com uma pergunta que já me fiz uma vez, há muito tempo, e  continuo fazendo: Por que a Bíblia não menciona, sequer uma vez, a palavra Cataratas ou Cachoeiras?  Se a Bíblia não registra a palavra Cataratas, pelo menos uma vez, devo entender que os cristãos não devem dar valor às milhares de cachoeiras e cataratas, grandes ou pequenas, majestosas ou minúsculas do Mundo? Devo entender que a Bíblia não dá valor a cachoeiras e cataratas. 
Milhões de pessoas vem às Cataratas anualmente

Esta baixa estima oficial cristã por Cataratas e cachoeiras é grande. Parecem tê-las colocado na lista das coisas a serem dominadas, conquistadas,  domesticadas ou destruídas ao longo da história por desbravadores, conquistadores e exploradores.


Cataratas e Cachoeiras, de todos os tamanhos têm sido importantes ao longo de milhares de anos como Lugares Sagrados para todas as tribos das Américas que têm ou tiveram cataratas ou cachoeiras em seus territórios. Um valor intrínseco que se abre como um leque em várias dimensões e profundidades diferentes. Algumas, muito grandes podem ter exigido respeito e inspirado temor. Mas todas receberam desses povos amor, oferendas, orações, canções e outros presentes. 



No Brasil, lugar onde, como diz o ditado, Deus escreveu reta e sabiamente, usando linhas tortas, conseguimos transformar o passado doloroso da escravidão, da servidão em um casamento – uma espécie de miscigenação cultural, espiritual entre as visões dos negros que vieram da África, dos povos que já viviam aqui e com os filhos misturados de portugueses fazendo com que a visão animística africana e a visão xamânica da Terra se encontrassem e dessem fruto. Que os mesmos rios, os mesmos lagos, as mesmas cachoeiras, matas, selvas, montanhas, cavernas e grutas tivessem importância para esta nova sociedade – a única coisa realmente nova, fruto deste encontro. A umbanda é um exemplo desse belo resultado que na sua linha litúrgica abriu e continua abrindo espaços para que além dos elementos tipicamente africanos se junte também as energias e vibrações de ciganos, mestres orientais, de caboclos, gente da lida da terra e pessoas de todas as classes sociais – todas ligadas por um amor à terra, ao que chamamos de natureza.          

No Salmo 42

Na primeira parte desta publicação, destacamos o encontro de Cameron com o índio guatemalteco e a tese de que se Deus não fala a sua língua ele, possivelmente, não se importa com você, sua etnia ou seu povo. Continuou lembrando que na “leitura da paisagem”, na interpretação da paisagem natural, criada por Deus, o nativo estranha quando lugares especiais de sua paisagem não apareçam nas páginas desse livro. Alguém pode rebater afirmando que a Bíblia Sagrada fala de Cataratas ou Catadupas no Salmo 42. Lá, no versículo 7, diz, de acordo com a versão Almeida Corrigida e Revisada: 

 “Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim”. 


domingo, 10 de janeiro de 2010

Um assunto delicado: temos o direito de hastear nossas bandeiras nas Cataratas?




Há dias queria fazer esta publicação. Na foto da parte superior desta postagem vemos a bandeira brasileira hasteada no topo do elevador que leva passageiros da passarela que dá acesso ao Salto Floriano (lado brasileiro das Cataratas do Iguaçu que leva o nome do Marechal Floriano Vieira Peixoto presidente do Brasil entre 1891-1894), até o nível da BR 469 no Espaço Naipi.

Na foto da parte inferior da postagem, vemos a passarela que dá acesso ao salto deonominado Garganta do Diabo (importante personalidade no crirtianismo, judaísmo e islamismo)no lado argentino das Cataratas do Iguaçu. A passarela está lotada de pessoas que vieram ver as Cataratas do Iguaçu no dia 9 de janeiro de 2010. Se voce clicar na foto para ampliá-la, verá a bandeira azul celeste da Argentina, hasteada na passarela.

As duas bandeiras estão no local correto? O que queremos, brasileiros e argentinos, com a apresentação de nossas bandeiras neste local? É a continuação da ostentação de símbolos nacionalistas em fronteiras, lembranças do velho nacionalismo da cofrontação? Não deveria haver nas Cataratas do Iguaçu um ambiente que desse oportunidade a sentimentos de unidade de todos os povos? Temos o direito de hastear nossas bandeiras aqui? Se as bandeiras representam uma orgulhosa assinatura de seus súditos ou cidadãos, que obra realizamos nós nas Cataratas do Iguaçu que nos dê o direito a assinar em baixo?

Não me refiro aqui a uma passarela, a um hotel, a um sistema de esgoto questionável, ou a um elevador. Pergunto: Quem criou as Cataratas? Qual é sua história? Não é necessário que você me responda: foi Deus! Pense como materialista, espiritualista, como cientista, como anarquista ou como você se sentir mais confortável e me diga é justo que assinemos esta obra?

No meu ver, deveríamos mostrar e exibir nossas bandeiras em todas as partes, publicamente e especialmente sobre aquelas em que tenhamos orgulho de termos ajudado a criar. Em nossas belas e humanizadas cidades, por exemplo! Em nossos centros de saúde desde que respeitassem os cidadãos e não os submetessem a sofrimentos e torturas! Em nossas escolas desde que nossa educação fosse para preparar cidadãos para a liberdade e para a autonomia! Podemos até exibir nossas bandeiras, como fazemos, nos centros de visitação de nossos parques nacionais, especialmente se pudéssemos dizer que conscientemente construímos um Centro de Recepção que levou em consideração questões de 'paz ambiental', porque é bioclimático, porque conserva energia, porque pensou em cada visitante, porque é acessível.

Os lugares mais altos, e os lugares sagrados, os lugares majestosos e de extrema beleza natural como as Cataratas só deveriam ter a assinatura de, segundo a sua crença, Deus, GEA (O Planeta que criou as Cataratas no processo de sua criação) e - me parece que ninguém mais!

Uma obra em relação às Cataratas e às demais belezas do mundo sob a qual poderíamos assinar, inlcuiria, o que fazemos para preservar: para que as Cataratas não sequem; para que o Glaciar Perito Moreno não derreta, só para dar dois exemplos. Essa seria uma bela causa sob a qual todos nós brasileiros e argentinos deveríamos assinar em baixo e até levar nossas bandeiras celeste-verde-amarela para o topo delas! Mas até lá, pensemos em um dia em que que juntos façamos uma cerimônia respaldada pela legalidade e retiremos as nossas bandeiras das Cataratas do Iguaçu.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Mbya Guarani visitam o Santuário Cataratas do Iguaçu

(Foto Claudio Salvador (Proyecto Mate/ Clique para aumentar)


"Para nosotros, las Cataratas, este majestuoso conjunto de grandes saltos y selva exuberante, es un lugar que debemos respetar. Nos preparamos para ir con nuestros guías espirituales y si ellos nos autorizan nos vamos felices. Pero si no estamos listos para esta experiencia, mejor nos quedamos en casa" - de uma postagem feita por Claudio Salvador sobre uma visita dos Mbya Guarani de Puerto Iguazú às Cataratas do Iguaçu. Clique aqui para ver a mensagem completa!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Adentrando o Arcoiris - Yin e Yang das Cataratas

As idéias que consagram as Cataratas do Iguaçu como um Lugar Sagrado estão maduras. Pessoas do mundo todo estão oferecendo jornadas, peregrinações, viagens e vivências especiais nas Cataratas do Iguaçu e em alguns poucos lugares do mundo. Os antigos chineses acreditavam no equilíbrio do YIN e YANG, os princípios feminino e masculino do Universo. Os hindus falam de Prakrit e Purusha, os mesmos princípios. Os Guaranis falam de Nhamandu Rú e Nhamandu Cy - Nhamandu Pai, Nhamandu Mãe.

As idéias que consagram as Cataratas do Iguaçu como Lugar Sagrado, são parte de uma “espiritualidade verde”, de uma “topofilia”, de uma “ecofilosofia” de uma “ecopedagogia”, palavras assim, hoje ainda escritas entre aspas às quais podermos sempre acrescentar a palavra “transpessoal”. A maioria das quais tem algo a ver ou estão ligadas àquele princípio YIN ou feminino do Universo. Coisas novas. Quer dizer não tanto novas quanto redescobertas. Re-valorizadas e muitas dessas palavras já se introduzem no mundo acadêmico.

O turismo de Foz do Iguaçu e Puerto Iguazu apresenta sinais visíveis de cansaço devido ao seu excesso de “YANG” ou princípio masculino. Isto gera desequilíbrio. As Cataratas (YIN) são tratadas como uma “coisa”, um atrativo, à disposição e à serviço destas forças carregadas de YANG. Do jeito que os homens tratam as mulheres. Do jeito que os homens tratam a Natureza. Daí o fracasso.

Mas apesar de nós, o mundo está enxergando as Cataratas YIN. É urgente que mais pessoas apareçam para fortalecer o YIN e equilibrar o mundo. Foz do Iguaçu, de onde escrevo, com suas Cataratas, é somente um símbolo. É necessário honrar o YIN das coisas...de tudo!

Texto transportado do blog desativado iniciado em 2004 /2005.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Celia Fenn sobre as Cataratas

"... Arcanjo Miguel escolheu a região de Iguaçu para este Workshop e para a Cerimônia da Água da Lua Cheia porque Iguaçu não apenas esta situada na Floresta Tropical, mas é também a maior Catarata no Mundo e como Miguel explicou, ela é uma “Entrada de Água” ou “Portal” que liga a Terra ao Grande Sol Central ou Centro Galáctico".

Este é só um pedacinho do texto de Celia Fenn que está no Diário de Bordo da Terra. Lá você vai ler com detalhes as lembranças de Celia Fenn sobre o workshop ocorrido em Foz do Iguaçu, no Hotel Panorama, para ser exato. No texto há detalhes importantes e mais fotos dos eventos. O Diário de Bordo da Terra de maio também pode ser visto em espanhol e inglês.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Celia Fenn em Foz do Iguaçu



Celia Fenn está na Terra das Cataratas. A Cerimônia de Ancoragem dos Códigos de Paz, Amor e prosperidade foi realizada. Durante todo o dia, antes da cerimônia, cerca de 80 pessoas participaram de um workshop / trabalho onde muitas coisas aconteceram. Uma das mais importantes, para mim, foi a mensagem do Arcanjo Miguel para as Cataratas do Iguaçu e a região onde ela se encontra. Compartilharei algumas das coisas ditas logo mais. Os códigos da abundância, paz e prosperidade foram ativados e o Templo de Cristal das Cataratas do Iguaçu foi estabelecido. Acompanhe as fotos em postagens que sucedem a esta para saber um pouco mais do que aconteceu neste 20 de maio de 2008. Para entender melhor sobre os códigos, ativação deles e outros conceitos, clique aqui para ir a uma mensagem canalizada por Celia Fenn sobre os Códigos do Graal.